A Erística na Retórica Política Midiatizada
DOI:
https://doi.org/10.21878/compolitica.2025.15.1.666Palavras-chave:
Comunicação Política, Retórica, Eristica, Debates Presidenciais, Discurso MidiáticoResumo
A erística (do grego eristikos, que significa disputa) assume-se como arte da controvérsia que permitiria fazer triunfar o absurdo ou o falso. Uma prática comunicativa que visa disputar as teses adversárias o e desconstruí-las com vista, não à verdade, mas à vitória.
Neste artigo, afirmo a presença contemporânea da erística e sublinhando duas ideias fundamentais: 1) a erística é uma componente retórica, diferenciada da modalidade persuasiva; 2) a erística deve ser apreciada, não apenas de acordo com a sua herança clássica, mas também do ponto de vista dos modernos dispositivos tecnológicos de mediação simbólica.
Proponho reavaliar o lugar da erística na retórica. Defendo que, nas atuais sociedades midiatizadas, assistimos a um recrudescimento da retórica erística, inclusivamente no género deliberativo e no seio de campos sociais onde se esperaria que imperasse a racionalidade argumentativa. Começarei por introduzir a erística, tal como ela surgiu no período clássico para, num segundo momento, caracterizar a sua estrutura dando exemplos contemporâneos. Por fim, demonstro que a mídia é, hoje em dia, palcos do exercício erístico e exemplificarei o quanto debate político televisionado vive impregnado de um discurso retórico altamente agressivo, contencioso e baseado numa intensa lógica de antagonismo que se estende da política até ao desporto
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